quarta-feira, outubro 26, 2005

Petição ao Presidente da República Portuguesa

Chegou à minha caixa de correio o pedido para abaixo assinar esta Petição ao Presidente da República Portuguesa, parcialmente transcrita na infra, redigida pelos professores Maria Emília Rodrigues e José Carlos Callixto.
Encontra-se à disposição dos interessados em: http://www.petitiononline.com/profspor/



Ex.º Sr. Presidente da República Portuguesa

No decorrer do 1º Período deste ano lectivo de 2005/2006, não podemos deixar de transmitir o nosso sentimento de revolta e de repúdio por aqueles que consideramos estarem a ser os maiores atentados contra a dignidade e o profissionalismo dos professores, cometidos perante a quase total passividade e complacência da classe. Ao longo de décadas, aceitámos passivamente reformas sobre reformas, a maioria das quais demagógicas e irresponsáveis. Aceitámos passivamente programas curriculares de qualidade cada vez mais duvidosa, para já não falar da respectiva implementação à sombra e como consequência da pressão de lobbies editoriais. Ao longo de décadas, habituámos os sucessivos Ministérios a tudo, desde comprarmos nós os lápis, canetas, papel, acetatos, e, já agora, porque não, computadores, a oferecermos horas e dias de trabalho muito para além das “famosas” 35 horas semanais, inclusive muitas vezes em período de férias, e não só não sendo recompensados por isso, como também não ganhando o respectivo subsídio de alimentação, como é o caso, pelo menos, da maioria dos Conselhos Executivos, por forma a possibilitarem o lançamento do ano lectivo seguinte no curto espaço de tempo que lhes é imposto. Aceitamos passivamente as barbaridades que todos os dias, e cada vez mais, lemos e ouvimos nos jornais e nas televisões, provindo até de figuras e de quadrantes inesperados, com a despudorada ignorância de uns, com a conivência de outros, porque é preciso arranjar culpados para o estado a que o Ensino chegou. Aceitamos passivamente a indiferença dos Media perante o sentimento de desmotivação e revolta dos professores. A presente Petição surge, aliás, na sequência de um manifesto enviado a três importantes órgãos de Comunicação Social escrita, nos quais se têm sucedido os inqualificáveis e injustos ataques à classe docente, mas que não se dignaram sequer responder aos autores, quanto mais publicar o referido manifesto. Somos, como consequência, a classe em mais franco declínio na opinião pública, mas somo la com a nossa quase total passividade e complacência, com a quase total passividade e complacência dos Sindicatos, nos quais dificilmente nos revemos, e que perante tantos atropelos apenas se dignam titubear alguma indignação, que de tão inócua se torna ridícula. Assistimos à ideia de que hoje a perspectiva de vida é maior, o que é um facto, mas não se fala também que a sociedade mudou radicalmente, exigindo aos professores que se tornassem, além de pedagogos, psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, verdadeiros bombeiros em época de incêndios, apagando fogos por tudo quanto é lado. Comparam-nos sempre aos outros países da Europa, esquecendo se no entanto de mencionar, pelo menos, as condições de trabalho e as instalações. E quando o salário não é esquecido, fazem se comparações aberrantes, das quais resultaria a conclusão que, nalguns países, o salário dos respectivos professores seria, nalguns casos ... inferior ao respectivo salário mínimo nacional. Os professores europeus estarão efectivamente mais horas na escola, particularmente na componente não lectiva, mas trabalham em conjunto, preparando estratégias, realizando trabalhos multidisciplinares, preparando aulas, fazendo e corrigindo testes. Pouco ou nada é feito em casa, solitariamente. Mais, enquanto nas nossas escolas professores com depressões gravíssimas se arrastam penosamente – é a classe profissional onde a taxa de doenças psiquiátricas é a mais elevada – na Alemanha, por exemplo, à primeira recaída de uma depressão tem-se direito à reforma por inteiro. [continuação]

terça-feira, outubro 18, 2005

Visita da Ministra da Educação à EB 2, 3 Alice Gouveia, em Coimbra



Não tenho tido muito tempo para deixar por aqui as minhas (in)confidências. Mas não posso deixar em claro a visita de Sua Ex.ª, a nossa, enfim, Ministra da Educação, após a tão dignificante atitude, ontem, na EB 2, 3 Alice Gouveia, em Coimbra.
Não pretendo demorar-me em comentários, apenas agradeço, para um melhor esclarecimento, a leitura dos artigos que deixarei em link:


A Ministra da Educação esteve na EB 2/3 Alice Gouveia, em Coimbra, no passado dia 17 de Outubro. Deveu-se a visita à apresentação de um projecto da Universidade de Aveiro, dirigido à Matemática (Tdmat).
Tendo em conta a presença da Ministra, quase todos os professores da escola se vestiram de luto para a receber, como forma de protesto pelas medidas tomadas por este Governo para a Educação e contra os Professores.
[Informação SPRC]


Má nota para DREC e ministra
Estavam todos convidados para a apresentação oficial do TDmat. Quinze minutos depois, a comunicação social foi convidada a abandonar a sala e a escola. As dificuldades que os professores de Matemática sentem dentro de uma sala de aulas foram contadas em privado. [Diário de Coimbra]


EB 2,3 ALICE GOUVEIA – Ministra recebida com contestação
Professores vestidos de luto, uma manifestação sindical e um convite à dispersão dos jornalistas marcaram a visita da ministra da Educação a Coimbra. [Diário As Beiras]









segunda-feira, outubro 03, 2005

Inglês começa hoje a ser ensinado pela primeira vez no ensino básico

Pela primeira vez no ensino público em Portugal, alunos do primeiro ciclo do ensino básico (antiga escola primária) vão ter hoje uma aula de Inglês em 150 municípios portugueses.
...
A implantação do novo projecto foi feita através de propostas apresentadas pelas câmaras municipais ou associações de pais. [Público]


Convém frisar que as propostas apresentadas pelas escolas foram declinadas, recusadas, rejeitadas, enjeitadas, evitadas, ostracisadas, negadas, excluídas, banidas, exiladas, proscritas... como proscritas serão escolas e os seus professores na abstinência do pensar e do ensinar - o professor não pensa, obedece...