quarta-feira, agosto 31, 2005

O preço dos livros/educação



Todos sabemos que os manuais escolares estão caros. Os livros em geral estão caros, e já o eram antes desta crise inflacionária, que cada vez mais me parece premeditada, maquinada e manipulada. Não falando nos combustíveis, esses parecem andar enredados numas coisas tentaculares, carteis de nome, ou outros géneros afins, que aparentemente não querem ou não permitem que a investigação científica avance e substitua o líquido fóssil e poluente que, para mim, é quase o meu ganha-pão. Estou aqui a pintar um clima de conspiração internacional, mas, lamento, não consigo evitar esta sensação desconfortável que me tolhe ultimamente os neurónios. Enfim, adiante…

Não estranho, pois, que um jornal (na minha opinião) sensacionalista mais uma vez traga aos quiosques a questão do preço dos manuais escolares, pintando cenários apocalípticos. (Confesso ter apenas lido o texto disponibilizado on-line.)

As famílias portuguesas vão gastar, este ano, cerca de 490 milhões de euros na compra de livros e restante material escolar para os quase 1,4 milhões de alunos matriculados nos ensinos básico e secundário, o que dá uma média de 350 euros por estudante. Um valor próximo ao salário mínimo nacional (374 euros). [on-line: Correio da Manhã]

Quanto a isso queria deixar aqui apenas algumas considerações, em tom mais sério, já que o ando para fazer faz algum tempo.

Vi uma reportagem há uns dias sobre os gastos médios de um número considerável de famílias indianas na educação dos seus filhos na Índia. Fiquei estupefacto. Fazem sacrifícios espantosos, vivendo numa situação de pobreza extrema, visto à luz das nossas condições de vida. Na reportagem, não vi nem ouvi ninguém daquela gente lamentar o dinheiro que investiam na formação dos seus filhos. Apenas o viam como um investimento a longo prazo, logo, no futuro, necessário e útil.
Por cá todos se lastimam, os livros são caros ou são muitos, ou é a mochila, ou por isto ou por aquilo. Por mim, vou-me lastimando por ter de ter um telemóvel fraco, mas por necessidade, e por rarissimamente ver um aluno com um telemóvel mais fraco que o meu, sendo, na maioria, topos de gama e de terceira geração. Comparei, também, este ano lectivo transacto os gastos médios dos miúdos em chamadas e SMSs, concluí que faço uma gestão muito forreta do uso do meu telemóvel. Poucos gastavam menos que eu. É legítimo dizer que quanto a isto as famílias devem considerar o gasto necessário e útil, contudo os livros não parecem sê-lo. As Playstations parecem ser, também, uma ferramenta muito útil, bem, ressalve-se que a Playstation 2 dá igualmente para visionar DVDs, mais uma vez o livro fica a perder.
A cultura do livro em Portugal desceu a um nível tão baixo que a maioria dos alunos já nem lhes põe uma capa protectora. Perdem-nos com muita facilidade. É fácil encontraá-los amontoados em prateleiras, estantes, em cima e dentro de cacifos, ou no bar, simplesmente abandonados, no final do dia, no final dos períodos ou do ano lectivo.
Bem, se o pouco que aqui enumerei não der que pensar, terei que repensar a minha educação e cultura e não a de um número assustador de famílias portuguesas.

terça-feira, agosto 30, 2005

Concurso para recolocar!

Fiquei colocado na Sec. da minha Terrinha!
Fantástico, mas desengane-se quem achar que tudo está a correr muito bem. Parece que há por aí mais broncas para deslindar do que se julga.
Houve muitas escolas que interpretaram os pedidos de crédito de horários para concurso mal. Conclusão, comunicaram o que tinham e o que necessitavam. Houve escolas que fizeram, na passada semana, pedido para rectificação do erro à DGRHE e esta, pelos vistos, não aceitou. A piada é que a escola onde estou colocado já tinha um horário zero e comigo foram colocados mais três professores, um deles contratado.
Os prazos para publicação das listas foram cumpridos com pontualidade anticipada, mas parece que vai ter que haver muitas justificações a dar.
Isto é divertido!!!

Quem ficou melhor colocado!













Vamos lá ver se ficou tudo bem colocadinho...

sábado, agosto 27, 2005

Universidade de Coimbra critica dotações para 2006

A Universidade de Coimbra (UC) criticou as dotações orçamentais das universidades para 2006, considerando que a proposta do Governo não garante um reforço gradual da qualidade do ensino. [Diário Digital]

sexta-feira, agosto 26, 2005

De colocações e concursos

Terça-Feira 30 serão publicadas as listas de colocações de milhares de professores. Até aqui – nada de novo. Ou antes, sempre a mesma coisa, tarde e a más horas. Para o ME está tudo sempre dentro daquela já anormal normalidade. Já nos habituámos, continuamos a queixarmo-nos, de nada vale para quem tudo vale (e isto vai de parte a parte). Enfim, poderíamos dizer, levado a um extremo, que temos o que somos.

Inevitavelmente, somos perpassados por uma sensação de mal-estar nestas alturas. Compreensível, pois a coisa toca-nos na expectativa de finalmente alcançar uma colocação digna (ou não), independentemente de sermos quadro ou não. Apesar de tudo, parece-me aqui de realçar dois aspectos perniciosos e perversos:

1. O Despacho n.º 14 753/2005, de 5 de Julho, previsivelmente atirará para o desemprego e exclusão de contagem de tempo serviço muitos professores do grupo 03, Português/Inglês, e do grupo 22, Inglês/Alemão, pelas definições vagas no despacho e pela abertura do concurso a entidades externas à escola.
Numa primeira leitura esbarramo-nos com a concepção de tempo lectivo. Não são considerados, como tempo lectivo, os «tradicionais» 45 min, mas a unidade de tempo lectivo como sendo de 90 min. Ou com a possibilidade de leccionar alunos de 3º e 4º anos em simultâneo.
O recurso a institutos de línguas com professores nativos do inglês não me parece de todo, também, a melhor solução. Penso, contudo, que irá pegar moda nos grandes meios. A atribuída competência linguística a estes professores poderá não ser, na prática, tão exequível quanto se julga (o nacional também é bom e conhece bem melhor a realidade da situação), o falante nativo não é sinónimo de melhor competência linguística.
Em suma, pode vir a ser um instrumento de aperfeiçoamento da autonomia das escolas como pode simplesmente vir a ser o oposto.

2. Serão atirados, mais uma vez, professoras e professores para longe das suas famílias. É natural que não possam ficar todos na sua área de residência, mas os tão apregoados ritmos sociais e preocupações sociais do ME e do Governo para com as famílias dos alunos não parece tocar nas professoras e nos professores, estes parecem ter preocupações dessa ordem (pelo menos, segundo alguém!).

Resta-me desejar BOA SORTE (que parece, por vezes, ser o critério mais plausível) a todos os professores para as colocações que se avizinham.

terça-feira, agosto 23, 2005

Quando tudo arde…


… o porquê nem sempre é coisa que arde sem se ver, muito menos sem se saber.

Sendo ele um filho de algo, estucador de profissão, que vai, por direito e necessidade, fazer uma cagada ao pinhal, a meio da sua jorna, e em vez de levar o tradicional jornal para se entreter nos entrementes, enquanto estruma o biótopo, aproveitando para reciclar o jornal na limpeza das partes traseiras, mas antes se lembra de ocupar a outra extremidade com um cigarro, a única coisa que pode sair é merda grossa. Tão grossa que arderam uns bons quilómetros de mata.

Pois, educação não é coisa que se dá só, mas que se tem. Quando não se tem, bestialidade e irracionalidade andam de mãos dadas!

A Bestialidade

Desde Domingo... Coimbra arde...


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(Vista do miradouro de Vale do Inferno em Santa Clara, Coimbra)

Domingo: de Miranda do Corvo a Ceira, Coimbra (da direita para a esquerda).