sábado, fevereiro 26, 2005

Em gestação II

Daqui a pouco começa a ginga dos «jobs for the boys» e dos «boys for the jobs», as habituais trocas e baldrocas a que nos temos vindo a habituar e a constatar (diga-se, passivamente) no submundo da política.

No topo das baldrocas costumam estar os vários serviços da Segurança Social, não lhe escapa, também, uma pitada de Finanças e ilesa não fica a boa Educação. Pois, aqueles sítios onde não é necessário um concurso para se aceder a uma boa colher para mexer o tacho. É como aqueles distintos senhores de mérito, de alguns serviços de inspecção, que são convidados, com toda a isenção, a exercer ajudas de custo e subsídios de risco numa secretaria ou num conselho executivo (serviço interno, pois) – não vá ele correr o risco de lhe cair um livro de actas, daqueles mais antigos, em cima.

Há sempre uma troca de favor naquela atitude de uma mão lava a outra, mas que não saiba a mão direita o que esquerda fez. Um jogo secreto, tácito. Que o há, lá isso há. Todos sabemos, mas é secreto, passivamente tácito.

Moral, ética, honestidade não rimam muito com política pelas nossas paragens, basta ver as leis que dizem respeito a crimes de colarinho branco. A nossa administração pública nunca foi concebida para funcionar sem um governo, como se dizia que na eventualidade funcionaria a administração pública britânica.

Ora, por cá, na política, os acontecimentos importantes resultam de causa triviais. Provavelmente, seria esta a acepção que Júlio César teria hoje dado ao seu aforismo. Mas realmente trivial é a banalidade da política por cá.

Permaneçamos em gestação, expectantes por inovação e boa educação.

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Em gestação

Tudo decorre dentro da normalidade. São ele as eleições, digo campanha eleitoral e os concursos eleitorais, digo Concursos para Professores do Básico e Secundário.
«Básicos» chamamos àqueles, quando o sistema não responde às solicitações (afinal, 100% operacional?). «Secundários» somos nos joguetes políticos: é preciso um pouco mais que apenas Inglês para o Primeiro Ciclo - ou, então, devo andar com um problema auditivo.
Ora, vejamos, está tudo em gestão, digo gestação. Até lá, boas digestões a todos!

sábado, fevereiro 12, 2005

Inimputáveis

Não tenho escrito. Tenho tido alguma dificuldade em lidar com a actual situação política do país. Minto, com o actual discurso político do país.


Constato que há realmente um elevado número de políticos alheados e desfasados do país em que vivemos. Constituem um género de intocáveis, inimputáveis e demais. Enleiam-nos em discursos vácuos. Conseguem falar muito e não dizer nada. Estão fechados sobre si próprios. Não têm um discurso comunicativo capaz de transmitir o que se pretende, para este país, e como fazê-lo. Um discurso capaz de gerar democracia. São corpos inertes, num país num estado letárgico avançado. Num país onde «tudo se modifica e dissipa». O país da «não-inscrição», nos termos de José Gil.


Li o livro:


Concluo que é a triste radiografia do país em que vivemos. Passo esta minha leitura, para mais que não seja que para cerebralizar a nossa contingência compulsiva.


O que antes era optimismo transformou-se em pessimismo. Acho que não é contagiante, mas penso que, de facto, vivemos num país de inimputáveis.