sexta-feira, dezembro 24, 2004

Natal, Christmas, Weinachten, Noel, Navidad

Chegou a hora...





... amanhã ainda é dia de gastar uns trocos.


Feliz natal a todos!

quinta-feira, dezembro 23, 2004

De pequenino se torce o pepino - INGLÊS para todos

A notícia, de hoje, adiantada por João Pedro Oliveira no DN a dar conta das intenções do Governo em tornar o estudo do inglês nos terceiros e quartos anos do 1º Ciclo obrigatório deixou-me perplexo e dá conta de mais uma desorientação para o ensino público.

Recordo que ainda há pouco tempo notícias vindas a lume propunham o reforço das aulas de Língua Portuguesa e de Matemática no primeiro Ciclo, em relação ao qual deixei aqui algumas questões no ar que considerei serem pertinentes. Desde então, não ouvi falar mais no assunto, porque será?, estará em banho-maria? Não obstante, pretende-se agora atacar noutra frente, sem se reflectir nas contradições circunstantes e efeitos contraditórios e perniciosos que daí poderão advir para as crianças, salve-se se o futuro programa for bem delineado [o que não me parece, coisa a que já nos habituámos ultimamente].

Tanto professores como a Confap parecem estar, segundo a notícia, sedentos pela implementação da medida, não reflectindo sobre as assimetrias regionais, socioculturais e económicas que grassam no país. Esta mentalidade apenas reflecte, mais uma vez, uma noção elitista, desfasada e regionaloide da sociedade que em nada abona a favor do sistema inclusivo.

O sistema inclusivo, recorde-se, é de tal maneira inclusivo que se torna mais exclusivo que inclusivo. A suposta igualdade de oportunidades redunda em desigualdade, porque quem no final de um dia lhe passaram dezenas de indivíduos pela frente – note-se: indivíduos – já pouca sensibilidade tem para desnivelar métodos e estratégias de ensino. Para, depois, no final do terceiro ciclo [refiro-me às provas nacionais de Língua Portuguesa e Matemática programadas para o final deste ano lectivo], se ver o desnivelamento nivelado. Isto tudo parece-me demasiado óbvio, a não ser que eu tenha um qualquer problema cognitivo.

No 1º Ciclo a questão não se coloca da mesma forma, coloca-se antes em função do como, quem e quando, e o quê. O como será feito com um professor coadjuvante [note-se: coadjuvante, forma cómoda de contornar a Lei de Bases, afinal é coadjuvante e o sistema de monodocência não será beliscado – giro, não é? – somos excelentes a contornar a Lei: nota 20] e os alunos: terceiros e quartos anos, o quem e o quando também estão resolvidos. A questão torna-se mais difícil quando começamos a analisar os «ses». Estes incidem fundamentalmente sobre o como e o quê. Para não entrar em conflito com a aprendizagem da língua materna – quanto a isto, já temos problemas de sobra – é necessário ter em consideração que as crianças não terão ainda adquirido um grau de maturidade linguística razoável, se bem que o seu aparelho fonador estará no ponto ideal para se moldar à nova aprendizagem e que quanto mais cedo se iniciar uma língua estrangeira mais efectiva será a sua apreensão. Dos aspectos referidos, o primeiro é de peso, porque vivemos num país com graves assimetrias socioculturais, com uma pequena fatia de bem-aventurados e culturalmente bem-abençoados. Quais os conteúdos a desenvolver e como operacionalizá-los. Será dada apenas ênfase à expressão oral (como se lê no artigo 7º, Decreto-Lei n.º6/2001, de 18 de Janeiro), recorrendo-se a actividades lúdicas, apenas de incentivo?

Se assim for, eu concordo. Mas, isso já existe e não é necessário fazer bandeira disso. Apenas é necessário aperfeiçoar o sistema e implementá-lo de uma forma equitativa e eficaz, desde que não hajam DREs a recusar a autorização do mesmo. É aqui que tem estado o busílis da questão, de modo que a proposta avançada é mais uma medida hipócrita cujo fim é fácil de perceber. Por resolver está ainda a deslocação de alunos ou professores para as respectivas escolas ou será, como no passado, que os professores contratados andarão a fazer a coisa por carolice só porque conseguem completar o horário – isso seria muito feio – muito pouco democrático.

Mas levanto mais umas questões, não é o alemão a língua mais falada na Europa?, não está o espanhol praticamente a par com o inglês como primeira língua? Porquê o inglês e não o francês? Nós sabemos que o francês tem pouca utilidade, é o inglês que está na berra, mas não se estará a ser demasiado impositivo?

Chegamos à parte em que os gigantones se pavoneiam pela passerelle, como a tradição de São Nicolau em alguns países nórdicos, atirando uns rebuçaditos às crianças, mas não tenho a intenção de comer as migalhas debaixo da mesa neste bailado entre o deixo e o desleixo. Passo as analogias e espero que entre anunciadas medidas de mau-remedeio, rivalidades programáticas e o jogo do esconde-esconde e do antecipo-me saia alguma coisa de jeito e proveito. É necessário reflectir ponderadamente em vez deste jogo de cacique eleitoral ao jeito de «Who you gonna call? Votebusters!», só para apanhar uns votos de uns pais e professores.

sábado, dezembro 11, 2004

Ontem, hoje e amanhã

Ontem, sexta-feira 10, após ter escutado o Presidente da República Portuguesa – com atenção – , concluí que não tinha ouvido nada de novo. Ouvi as declarações das facções políticas com assento parlamentar, PSD, PS, CDS/PP, PCP e Bloco de Esquerda, mais uma vez concluí não ter ouvido nada de novo.

Pensei então em tudo aquilo que se passou desde a tomada de posse de PSL e veio-me à memória o famoso aforismo do engenheiro aeronáutico Murphy [a dita Murphy’s Law]: »anything that can go wrong, will«.

Pensei, também, nas declarações das facções, ou será facção(?), do PPD/PSD e do CDS/PP e fundiu-se-me a memória. Apenas fiquei a pensar: «estão aqui legítimos representantes da corrente filosófica sofista». Ocorreu-me então uma anedota que corria aqui há uns tempos:
»Politicians and diapers have one thing in common . . .
They should both be changed regularly and for the same reason«.


Se algum desses senhores passar os olhos por este blogue, pense. Se se sentiu ofendido, então não insulte a nossa inteligência. Por muito ignorantes e incultos que sejamos, ainda temos massa crítica suficiente para avaliar as situações. Recordo, que os nossos alunos nos mentem com muita frequência, mas é um efeito natural, biológico da adolescência, o desafiar da autoridade dos mais velhos (caso que supostamente não acontece com os políticos, por já não serem adolescentes). Mas uma coisa eles têm, os alunos: são hipersensíveis à mentira. É paradoxal, pois, mas mais paradoxal e bizarro é a «ópera bufa» [palavras de Alberto João Jardim, a que não pretendo dar o mesmo contexto que ele deu, entenda-se] a que temos vindo a assistir.

O país está a precisar de políticos versão enciclopédica e não de algibeira, parafraseando metaforicamente as últimas afirmações de Mário Soares e Aníbal Cavaco Silva.

sexta-feira, dezembro 03, 2004

Ensaio sobre a Cegueira

A escola inclusiva pressupõe «o direito à igualdade de oportunidades, à integração e normalização», assim o li num daqueles muitos folhetos informativos do ME. Princípio contra o qual, por princípio, não sou.

O direito à educação, à igualdade de oportunidades e à participação na sociedade são direitos que assistem, ou deveriam, assistir a qualquer cidadão e que se pressupõem inalienáveis. Não me parece, contudo, que estejamos efectivamente a desdobrarmo-nos nos esforços necessários para finalizarmos os objectivos muito teoricamente expostos na legislação que deixa sempre a parte mais prática para alguém que não o legislador, esse fica no seu gabinete.

Tenho-me debatido com alguma dificuldade para perceber o que fazer com um aluno invisual. Bem, não completamente, vai identificando umas cores e umas sombras, mas fica por aí. Segundo o artigo 10º do Decreto-Lei n.º 6/2001, de 18 de Janeiro, sendo portador de deficiência, automaticamente fica enquadrado na modalidade de educação especial, consequentemente abrangido pelo Decreto-Lei n.º 319/91, de 23 de Agosto. Até aqui tudo bem, o que não está bem é que a EE não dê o aval necessário para que se possa optimizar a aprendizagem/educação do aluno. Há uma recusa sistemática do uso da bengala ou a manutenção de um cão-guia para que o filho se possa orientar melhor. Atendendo à obrigatoriedade da anuência expressa do EE para a aplicação de qualquer medida do regime educativo especial, não se tem podido pôr em prática nem um currículo escolar próprio, nem um currículo alternativo.

A encarregada de educação tem-se revelado um verdadeiro caso de necessidades educativas especiais, talvez mais que o filho. A senhora é daqueles casos que não podem ser contornados pela escola, porque a legislação é explícita (cf. n.º1 do artigo 18º do Decreto-Lei n.º 319/91, de 23 de Agosto). Com uma influência tão negativa, o miúdo aprende hoje para não ligar amanhã, dando-se ao luxo não ligar a determinadas disciplinas, porque «não preciso disso para nada». Neste momento é um analfabeto funcional, porque nem o alfabeto braille domina convenientemente. O aluno está no terceiro ciclo graças às pressões das bases de coordenação do ECAE. Pois, bem se vê, vai-se passando o garoto.

A motivação, tão badalada pelos agentes da esfera legislativa e executiva do ME, caberá certamente aos professores. Porém, pergunto: quem motivará a mãe para ser uma EE responsável? E quem dirá aos excelentíssimos do ECAE que uma educação integrada não implica deixar transitar pobres coitados de ano, porque onde não há não se pode tirar e uma palmadinha no momento certo sempre fez bem a muito boa gente: «educadores» e educandos, entenda-se.

O sistema inclusivo, nos moldes em que existe, há muito que está minado. Não é funcional e os professores e demais doutores do ensino especial nem sempre têm formação adequada às tarefas que têm que desempenhar. São os próprios professores do ensino especial a afirmá-lo. Não basta ficar perto de casa. O modelo inclusivo mais é um modelo esquizofrénico do que «o direito à igualdade de oportunidades, à integração e normalização». Agora que sopram ventos de mudança, assim o espero, reinventemos uma verdadeira paixão da educação, de que Portugal continua à espera enquanto desespera.

Por hoje, fico por aqui com a promessa de escrever mais qualquer coisa por estes dias sobre o assunto em epígrafe ...

quarta-feira, dezembro 01, 2004

Alívio

Um grande alívio.
Foi o que senti ontem e ainda sinto hoje... depois desta crónica de um Flop anunciado [o Gabriel há-de entender o mau-trato ao título do livro dele].
Espero poder dizer o mesmo depois das eleições - do alívio, entenda-se! Venham elas, e que ponham aquelas medidas de mau-remedeio a ultracongelar na Antártida. Já não era sem tempo...