domingo, outubro 31, 2004

Síndrome do Contraditório III

sexta-feira, outubro 29, 2004

Síndrome do Contraditório II

Ora, isto está cada vez mais divertido!
A notícia do aumento do tempo lectivo para o ensino do Português e da Matemática no primeiro ciclo deitou-me por terra. Confesso-me vencido... A Maria do Carmo, além de milagreira manual, corre sério risco de substituir o fenómeno de Fátima (que não se ofendam os devotos, que não é minha intenção ofendê-los, por não haver termo de comparação). As peregrinações passarão a ser para a 5 de Outubro.
Gostaria de saber como irá a Excelentíssima Professora Doutora Maria do Carmo Félix da Costa Seabra descalçar esta BOTA. Eu explico, a Doutora Félix, que o continue por muito tempo - será bom sinal -, propõe, seguindo a lógica:
  1. acabar com aquelas situações de ensino simultâneo ao 1º e 2º, 3º e 4º, quando não é ao 1º, 2º, 3º e 4º anos de escolaridade pelo mesmo docente;
  2. acabar com o regime da monodocência;
  3. ou vai, finalmente, ao encontro das exigências de certos Encarregados de Educação (principalmente os de Lisbona), que pretendem ver os seus rebentos a pastar das 8 da manhã às 8 da noite nas escolas, sem despesas adicionais (mas, a esses, recomendo que não tenham filhos pois não terão cadilhos).

Que me desculpem os nossos doutos académicos do superior, mas temos tido demasiados catedráticos a cuidar do ensino básico e secundário. Cada vez demonstram mais defazamento, mais desconhecimento, - maior, ainda, a ignorância - da situação real das coisas.

A douta Félix, que o seja por muito tempo, parece-me já não ter os pés no chão. Se as asas forem de cera...

Orem por nobis...

Síndrome do Contraditório

Ora, eu tenho alguma dificuldade com esta notícia, porque não sei se é a notícia ou a ministra que me parece minada de contradições. Estão a começar a assumir proporções patológicas. É que se, obrigatoriamente, temos que dar aos alunos matrizes e afins aquando a realização de provas, há aqui um certo síndrome de contradição nesta notícia ou na ministra.
Confesso a minha perplexidade, mais ainda quando há fossos enormes entre PORTUGAL e o nicho ecológico lisboeta.
Enfim, a Torre e a Seita Marfim continua alheada do país real. Eu cá espero para ver.

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quinta-feira, outubro 28, 2004

Sem Comentários

O Princípio do Contraditório

Pedro Santana Lopes.
Três nomes em sequência regular...
Pedro é pedra.
Santana não é santo.
Lopes é só apelido.
Até aí está bem.
O que não faz sentido
É o sentido que tudo isto tem.

Este senhor Santana Lopes
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A água dissolve
O sal,
E sob o céu
Fica só o azar, é natural.
Oh, c'os diabos!
Parece que já choveu...

Martelos contraditórios,
Coitadinho
Do tiozinho!

[Pastiche de «António Oliveira Salazar» de Fernando Pessoa, 1935]

terça-feira, outubro 26, 2004

Ruídos Colaterais

«Os neoliberais têm uma visão distorcida do mundo», assim o afirmou Carlos Alberto Torres, sociólogo e professor da Universidade da California, a famosa UCLA.
Torres fê-lo no intuito de defender o ensino público como forma de contrariar as desigualdades sociais. Num país onde no artigo 13.º da Constituição da República se lê que «todo o cidadão é igual perante a lei», as palavras tornam-se num bluff imenso, porque desigualdades são o que mais abundam neste país lilliput à beira abismo plantado: «olha ao que eu digo, não ao que eu faço».
Afastando-me das questões da educação, para melhor ilustrar a globalização lilliputiana da questão, é o seguinte:
  • introduzem-se portagens nas SCUTS - porque não na CRIL e na CREL e afins, lá, pelo menos, existem alternativas de transportes públicos;
  • aumentam-se taxas moderadoras para deixar as nossas vilas e aldeias históricas morrer ao abandono da idade;
  • o ensino é tendencialmente gratuito, pois, o busilis da questão está no advérbio tendencialmente, que torna a questão um pouco tendenciosa;
  • COLEGAS, e o artigo 63º do ECD continua por regulamentar - onde estão os sindicatos???

As contas do meu Rosário estão gastas, para não falar da minha conta bancária... do meu carro que não anda à sede de água. Voltando ao Torres, «teoricamente, há sempre uma relação entre a produtividade e a escolaridade».

Leiam entre as linhas ou leiam as palavras irónicas, sarcásticas, satíricas. Peço perdão, porque, se não recorresse a estes artifícios estilísticos, teria que fazer uso de uma linguagem mais vernácula e a minha prosa perdia o decoro. Não ficaria bem num blog ou blogue, e muito menos a um professor.

Uma Boa Semana de Trabalho a Todos...

domingo, outubro 24, 2004

Agradecimento

Agradeço as saudações de que recentemente fui alvo, mesmo correndo o risco de ser mais "another brick off the wall". Quem não o é, falando só nesta imensa sala de professores para monitores, mas - certamente - com alguns interlocutores atentos.
Peço perdão pelas minhas falhas informáticas ocasionais (ainda só jogo nos iniciados) - parece ser um defeito quase endémico nestes últimos tempos - pelos vistos, até já se propagou ao todo poderoso Min. das Finanças. Será contagioso???
Bem, vamos escrevendo enquanto opiniões - ainda - não pagarem impostos, e esperando não levar o carimbo da censura...

sexta-feira, outubro 22, 2004

Alunos, Blogs e ME & C.ª

Motivar alunos, viciá-los no pensamento útil, sem lhes sair da cabeça decalques de novela e vacuidades kitsch, é coisa difícil.
Por esse motivo, fiquei contente quando me dei com um blog de alunos pela frente, mérito seja dado à(aos) professora(es) dinamizadora(es) do projecto. Escrito não de uma forma banal, mas até simples e de certa forma agradável. Tem como intervenientes alunos de várias escolas, o que por si já diz qualquer coisa. Sugiro uma visita ao Netescrita, trará, talvez, algumas pistas e sugestões para aqueles que, como eu, estão interessados em motivar os alunos para coisas que os possam enriquecer pessoal e socialmente.
Um à parte: o pronome «aqueles» não inclui o ME & C.ª, porque esses estão cada vez mais interessados em retirar computadores e em, tacitamente, abortar e sabotar o uso da Net pelos miúdos, restringindo, amputando e afins as áreas onde é permitido o uso da Net. Diga-se que tenho conhecimento de uma escola a que não foi dado aval pela DREC para a criação de uma sala de informática onde a Net estivesse instalada. As restrições impostas ao uso foram tantas que a gestão da escola desistiu da ideia.
Mérito seja dado às contradições de SUAS INTELIGENTÍSSIMAS e DIGNÍSSIMAS EXCELÊNCIAS.

quarta-feira, outubro 20, 2004

Paciência

A propósito da paciência - que é das coisas mais preciosas que um professor deve ter, cuidar e zelar, e cultivar até dar flor - surgiu-me em mente um poema de António Ramos Rosa quando passava os olhos pelo blog de um colega.
Sugeria ao colega, ou colegas, que o lesse(m). Tem por título «O Boi da Paciência» da Viagem Através de Uma Nebulosa, de 1960. Não é daqueles poemas que nos animam, mas tem um efeito de não-sei-de-quê quando a nossa força anímica não está no seu melhor.
Vou transcrever alguns versos para saborearem:

Noite dos limites e das esquinas nos ombros
noite por de mais aguentada com filosofia a mais
que faz o boi da paciência aqui?
que fazemos nós aqui?
este espectáculo que não vem anunciado
todos os dias cumprido com as leis do diabo
todos os dias metido pelos olhos adentro
numa evidência que nos cega
até quando?
Era tempo de começar a fazer qualquer coisa
os meus nervos estão presos na encruzilhada
e o meu corpo não é mais que uma cela ambulante
e a minha vida não é mais que um teorema
por demais sabido!

Na pobreza do meu caderno
como inscrever este céu que suspeito
como amortecer um pouco a vertigem desta órbita
e todo o entusiasmo destas mãos de universo
cuja carícia é um deslizar de estrelas?
Há uma casa que me espera
para uma festa de irmãos
há toda esta noite a negar que me espera
me estes rostos de insónia
e o martelar opaco num muro de papel
e o arranhar persistente duma pena implacável
e a surpresa subornada pela rotina
e o muro destrutível destruindo as nossas vidas
e o marcar passo à frente deste muro
e a força que fazemos no silêncio para derrubar o muro
até quando? até quando?

Teoricamente livre para navegar entre estrelas
minha vida tem limites assassinos
Supliquei aos meus companheiros: Mas fuzilem-me!
Inventei um deus só para que me matasse
Muralhei-me de amor e o amor desabrigou-me
Escrevi cartas a minha mãe desesperadas
colori mitos e distribuí-me em segredo
e ao fim ao cabo
recomeçar
Mas estou cansado de recomeçar!
Quereria gritar: Dêem árvores para um novo recomeço!
Aproximem-me a natureza até que a cheire!
Desertem-me este quarto onde me perco!
Deixem-me livre por um momento em qualquer parte
para uma meditação mais natural e fecunda
que me limpe o sangue!
Recomeçar!

(...)

Mas o homenzinho diário recomeça
no seu giro de desencontros
A fadiga substituiu-lhe o coração
As cores da inércia giram-lhe nos olhos
Um quarto de aluguer
Como perservar este amorostentando-o na sombra
Somos colegas forçados
Os mais simples são os melhores
nos seus limites conservam a humanidade
Mas este sedento lúcido e implacável
familiar do absurdo que o envolve
como uma vida de relógio a funcionar
e um mapa da terra com rios verdadeiros
correndo-lhe na cabeça
como poderá suportar viver na contenção total
na recusa permanente a este absurdo vivo?

Ó boi da paciência que fazes tu aqui?
Quis tornar-te amável ser teu familiar
fabriquei projectos com teus cornos
lambi o teu focinho acariciei-te em vão

A tua marcha lenta enerva-me e satura-me
As constelações são mais rápidas nos céus
a terra gira com um ritmo mais verde que o teu passo
Lá fora os homens caminham realmente
Há tanta coisa que eu ignoro
e é tão irremediável este tempo perdido!
Ó boi da paciência sê meu amigo!

António Ramos Rosa

Ranking das escolas

Há dias li no Expresso a opinião duma colega, Lucília Pereira, sobre o ranking das escolas.
A colega desdobrava-se numa carta de opinião a tentar explicar aos «gurus» da educação que essa coisa do ranking é pra inglês ver, e não tem em conta o país real.
Não é novidade, porque, de uma maneira ou outra, tacitamente já todos o sabemos - mas de um país que se pauta por uma pseudoburocracía e por um pseudorrigor político de uns cavalheiros que autogerem fundos de maneio, criados por eles mesmos (cf. CGD) - pouco se pode esperar.
Para completar a ideia da colega: no Dona Maria, em Coimbra, até eu seria um excelente professor (entenda-se esta afirmação no sentido retórico). Mas, antes de terminar, gostaría de deixar uma palavrita aos colegas da dita escola:
Para mudar de ares, tentem dar aulas na Pampilhosa da Serra. Tenho a certeza que pensarão duas vezes antes de esfregar as mãos de contentamento e se regozijarem dos sucessos obtidos. É uma espécie de sedativo natural para os egos hiperestimulados. Terão que espremer o grito que há muito esqueceram

irão ver que nem o santo dos pés-de-barro (e a milagreira manual) , - ou será aquele dos pés-de-cabra? -, vos ajudará.
Não há nada que me tire este trago. Continuo com sensação de que vivo num país onde «o estado é o que os cidadãos forem; é feito do caracter dos cidadãos» (Platão). Para isso não façam compta comigo, pois eu não compto com erros informáticos, mas com os erros que os cidadãos (alguns) informatizam.
Sarcasmos à parte, um bom ano lectivo de trabalho, é o que vos deseja este sempre vosso colega, camarada, ou outra coisa que seja mais decorosa...

terça-feira, outubro 19, 2004

Insucesso escolar

Muito tem sido dito. O murmurinho cada vez é maior. Mas não passa apenas disso: MURMURINHO.
A ligeireza com que muitos falam do insucesso escolar – maior a ligeireza, ainda, quando apontam o dedo acusador – é espantosa. É pena, pois ninguém consegue pôr o dedo na ferida. Seria melhor chocarem primeiro os ovos, deixar sair crias saudáveis, pondo bem a quente o sistema inclusivo - que não funciona - e pensar: «todo burro come palha, é preciso é saber-lha dar».
À falta de mais tempo deixo aqui o provérbio para chocar!

domingo, outubro 17, 2004

Estou-me a iniciar.
Não sei em que é que isto vai dar
Talvez dê, talvez seja só um ar
Monorrimático e monocórdico ou pra me extravazar!